Archive for abril \30\UTC 2010

Jay Reatard R.I.P.

abril 30, 2010
Jay retard 1980-2010

Jay Reatard 1980-2010

Tudo bem nao é novidade… sei que todos ja sabem do seu falecimento em janeiro deste ano, mas o Jay Reatard era um dos musicos que eu mais estava escutando nestes ultimos tempos.

Lembro-me que momentos antes que saber da noticia de sua morte eu estava indo para o serviço escutando seu disco Blood Visions no meu mp3 player.Ex-integrante de bandas como The Reatards e Lost Sounds, Jay teve seus ultimos discos lançados pelo selo Matador Records nos quais fazia uma mistura muito criativa de garagepunk com outras influencias.

Resenhas Rápidas

abril 30, 2010

Megadrivers-CDr Demo

São Leopoldo e Novo Hamburgo, cidades de colonização alemã aqui da região metropolitana de Porto Alegre sempre tiveram tradição de bons serviços prestados para o underground local: quem não lembra dos fanzines que circulavam por São Léo (apelido carinhoso do local) nos áureos anos 90 como Ta e daí?, Vermes das Ruas, Domestic Dog, Madame Satã Ouvindo HC, e And Chimarrão for All, bem como da Vianna Moog liderada pelo talentosíssimo poeta Everton Cidade?

Mateus em um show da megadrivers

Pois é desta região que vem os Megadrivers que faz um som bem influenciado por Mudhoney,Green River e toda aquela patota da Sub Pop que mandava bala nos já citados anos 90, naquele movimento musical qual a mídia um dia cismou em chamar de grunge. Mas de saudosos o pessoal da Megadrivers não tem nada: fazem o agora acontecer sempre agitando a região com shows, e honrando a tradição zinística local, a baixista Polly edita um fanzine chamado “Aborta” recheado de textos bem legais.

megadrivers

Esta demo tem 4 musicas nas quais se destacam “21 de Abril” e “Soda Cáustica” sendo esta última uma candidata a hit local!

http://www.myspace.com/megadrivers

Fuzzfaces-Vooodoo Hits CD

Somente agora peguei este CD que reúne gravações feitas entre 2001 e 2003 desta banda da zona leste de São Paulo,  que foi uma das primeiras do Brasil a fazer garage pos 60’s na pagada das bandas obscuras de coletâneas como a Back From The Grave e Pebbles e também das bandas do garage revival 80’s como o Fuzzztones, Chesterfiels kings entre outras.As gravação são entre 2001/2003 e foi compilado pelo selo argentino Rastrillo Records.

Fuzzfaces

Logo na primeira música “Fita K7” eles já dão seu recado: guitarras carregadas de fuzz bateria simples em ritmo tribal, e vocais rasgados cantando temas sombrios e incomuns. simples assim. Mas muito eficiente. Destaque para a vinheta de “A Garota do Corcel Vermelho” de sua primeira demo, retirada do raríssimo filme Brasileiro dos anos 60 “Se Meu Dólar Falasse”.

O disco tem 18 musicas as quais quatro são regravações de artistas como Thee Mighty Caesars(umas das muitas bandas do genial Billy Childish), e Q65.

Vídeo de “hospício”

O Fuzzfaces que conta com Andreia Crispim, Wagner ‘Fuzz” Tal, Gregor Izidro e Sir Uly (que também toca nos Os Haxixins)  deu uma parada em 2007 e voltou as atividades ano passado.

Notas do subterraneo #9 Entrevista Com Curcio Corsi

abril 28, 2010

Curcio Corsi foto por paulina

http://www.archive.org/details/NotasDoSubterraneo9

Esta banda carioca esteve tocando aqui em Porto Alegre semana passada.O som me lembrou muito as bandas da Ebullition e Crimethinc por unirem experimentalismo, barulho e principalmente política radical. Alguns integrantes tocam em outras bandas como o Vivenciar e participam de diversos coletivos. Junto a eles estava o Gustavo, do selo Oxenti records com o qual também conversamos.

Ele tem um disco que tem uma arte totalmente artesanal que acompanha um belíssimo zine com textos políticos.

Entre em contato

http://www.myspace.com/curciocorsi

Bloco 1

MDC -Corporate Deathburger

Abuso Sonoro – É Assim Que Nos Querem

Catharsis- One minute closer

Catharsis

Bloco 2

Libertinagem- Love song

Joy Division – New Dawn Fades

Egg hunt – We All Fall Down

Egg Hunt: Projeto de Ian MacKaye e Jeff Nelson Entre o Embrace o e Fugazi

Bloco 3

Converge – Concubine

Embrace – Give Me Back.mp3

Cap’n Jazz – Yes, I’m Talking to You.mp3

Se isso for emo então eu gosto: Cap n Jazz

Bloco 4

Black Flag – My War

Fun People – Take Over

The vicious-the Pigs

Os suecos do The Vicious

Ellos son, Los Violadores

abril 27, 2010

Como o no último post o Dieguis falou das bandas argentinas, aqui vai o trailer de um documentário que saiu recentemente sobre o Los Violadores,  a primeira banda punk de lá:

Notas do subterraneo #8 Dieguis “Jersey Killer” Casas

abril 27, 2010

Entrevista com Dieguis “Jersey Killer” Casas

Dieguis: "Temos la impunidad del Rock!"

http://www.archive.org/details/NotasDoSubterraneo8
http://www.archive.org/details/NotasDoSubterraneo8

Este pibe de Buenos Aires ja é quase brasileiro de tanto vir para porto alegre.fala portugues melhor que eu já.
sempre é um prazer recebe-lo aqui e trocar ideias, pois temos a mesma idade,mas como ele mesmo fala temos a impunidade do punkrock.logo temos alma de 19 anos.
Muitas coisa que conversamos nao consigo conversar da mesma maneira com amigos mais jovens pois eles nao compreendem certas coisas e ideais que nós tiozinhos de mais de 30 ainda talvez por um idealismo bobo e nostálgico ainda cismamos em acreditar…
No podcast conversamos um pouco disto: de como esta nova geração se bate com a nossa,seja nos valores e/ou modo de encarar o punk(ou a vida).Internet,rapidez, muita informação em um clic mas sem alma e muito menos aquela surpresa de uma nova descoberta que poderia mudar o rumo de sua vida fútil.
Voce se lembra a primeira vez que escutou Dead keneddys? ou deletou aquela track 6 que voce nem sabe de onde veio?
Dieguis também nos fala sobre o inicio do punk na argentina,sobre suas bandas como o venice,e claro vende o seu peixe falando  do Jersey Killer seu novo projeto.

Bloco 1
Los violadores-para que estoy aqui
Massacre palestina- diferentes maneras
Restos Fossiles- La maquina de perder

Massacre Palestina: skate punk desde Buenos Aires

Bloco 2
Venice-Job search
Venice-Hardcore hero Worshippin
Jersey Killr-Fool
Jersey Killer –Dumb song

Dieguis em ação com o Venice

Bloco 3
No class-too tired to think
Possuído pelo cão-demoncracy
Skate aranha-Raise the black flag

Os brasilienses do Possuido Pelo Cão:Poney e Barbosa mandando um crossover para geral

Cemitério Perdido dos Filmes B

abril 26, 2010

No Brasil, um país com quase nenhuma publicação relacionada aos filmes que gosto este livro escrito pelo César Almeida é muito bem vindo: aqui você encontra resenhas de filmes de diretores marginais como Roger Corman, Gordon Parks, Dario Argento, Willian Castle, entre outros,  que desafiaram o esquemão do cinema convencional ao fazer filmes baratos, divertidos, transgressores e principalmente criativos.Li nele algumas curiosidades como por exemplo que Elvis Presley fez um pedido de casamento  para a atriz Tura Satana, do classico filme Faster Pussycat Kill KIll.

sim Jack Nicholson tambem fez filmes B

São abordados subgêneros do cinema como Blaxploitation, Mondo, Eurocrime, Giallo, Hammer Horror, e Spaguetti Western.

Entenda que o cinema que você gosta não começou com o Tarantino…

Cesar Almeida em entrevista a TVE

The Tingler um dos filmes resenhados no livro

texto do release:

“É provável que você já tenha ouvido falar nestes filmes. Contudo, poucas vezes a verdadeira importância de títulos como estes é apresentada honestamente pela história oficial do Cinema.
Os chamados filmes B dos anos 50, 60 e 70 são cultuados ao redor do mundo e nunca estiveram tão em voga. Em tempos modernos, a internet desempenhou um grande papel no resgate de muitas destas obras primas.
Foi justamente em um blog, o B MOVIE BOX CAR BLUES, que surgiu a idéia de reunir em livro, pela primeira vez no Brasil, resenhas dos mais destacados filmes daquela era já distante e lendária.
Este verdadeiro Cemitério perdido dos Filmes B tem a intenção de guiar os curiosos e os cinéfilos brasileiros através do lado obscuro do Cinema, da arte ao lixo, da genialidade à loucura, da paixão por fazer filmes à pura malandragem.”

Os 4 Do Apocalipse: Thomaz Albornoz, Eu, Blob e Cezar Almeida

“Gênios ou loucos? Aproveitadores ou revolucionários? Conheça a história de homens e mulheres que não desfilaram pelos tapetes vermelhos de Hollywood. Personagens que escreveram a história do cinema por linhas tortas, pavimentando o caminho para as grandes produções. Nomes como Roger Corman, Russ Meyer, Mario Bava, Terence Fisher e Jess Franco, que abriram passagens, quebraram tabus e tornaram-se mitos, influenciando até hoje cineastas da estirpe de Tim Burton e Quentin Tarantino.”

O Cemitério perdido dos Filmes B traça um panorama do Cinema de baixo orçamento através das resenhas de 120 produções de diversos gêneros. Um retrato honesto e divertido dos heróis não celebrados da Sétima Arte.

Tudo isso e muito mais no Cemitério perdido dos Filmes B. À venda através do e-mail sartanawest@ig.com.br. Nas melhores livrarias do Brasil

A Volta Do Flipside

abril 25, 2010

nova edição do flipside disponivel apenas em pdf

O Flipside, juntamente com o Search and Destroy,Slash,Touch and Go,Forced Exposure, Maximum rock n roll entre outros, foi um dos zines americanos mais importantes .O editor, Al Flipside começou com ele em 1977 e encerrou suas atividades em 2000. Ele voltou em uma versão em pdf e pode ser baixado neste link:

http://www.box.net/shared/he86j5ykxh

Capa com Exene Cervenka do X nos primordios do zine

D.I na capa de uma edição antiga

Tour do Darge no Brasil

abril 24, 2010

O Darge é como o Disclose encontrando Olho Seco.Uma banda crust D-beat do japão com um brasileiro na formação,então tem algumas letras em portugues.Este brasileiro em questão  é o Rafael Yaekashi, cara por traz do selo Karasu killer(www.karasukiller.com) que lança bandas brasileiras no Japão.Rafael também foi colaborador da  Doll,lendária revista americana de musica underground.O Darge tem lançado além de “odio” seu disco mais recente, o cd  “Desespero” pelo selo japones MCR Company,  e a compilação 4 Way For Destruction”com os também japoneses do Encroached e os brasileiros  do Massacre Em Alphaville e Under The Ruins.Formado na cidade japonesa de Gifu, o darge é formado além de rafael que segura o baixo e vocal,  por Oze guitarra/vocal pelo  baterista Shinnosuke.

darge ao vivo

aqui vao as datas da tour

– 28/04 (Qua) – Florianópolis / Plataforma / SC
– 29/04 (Qui) – Porto Alegre / RS
– 30/04 (Sex) – Águas Lindas / Parque da Barragem / GO
– 02/05 (Dom) – Goiânia / Capim Pub / GO
– 05/05 (Qua) – São Paulo / CCPC / SP
– 06/05 (Qui) – Vista Alegre do Alto / Clube VAA/ SP
– 07/05 (Sex) – Indaiatuba / Plebe / SP
– 08/05 (Sáb) – São Paulo / Hangar 110 / SP
– 09/05 (Dom) – São Caetano do Sul / Cidadão do Mundo / ABC

O show em Porto Alegre vai ser no Entrebar quinta 29/04 e começa as 21hs.Eles tocam junto com as bandas gritos de ódio(nao confundiar com a finada banda capixaba),no masters,conduta destrutiva,ferida e trash.a entrada é 7 reais.

cartaz do show em porto alegre

Mais informações:
http://www.karasukiller.com/dargebraziltour2010.htm

Steve Albini: A Gênese do Barulho

abril 23, 2010

steve albini mestre em produção musical,mau humor e sarcasmo!

Texto publicado originalmente em http://www.insolitamaquina.com/ em 2008.

A nossa capital, Porto Alegre, definitivamente nunca foi uma cidade para shows internacionais de bandas que eu admiro. Lembro-me que o Fugazi tocou em Joinvile e aqui não. Bandas americanas ou européias que gosto acabam sempre tocando no eixo Rio-São Paulo, e algumas vezes em Curitiba, ou no máximo em alguma cidade de Santa Catarina.

Foi meio que um milagre rolar The Evens por aqui no ano passado (já que o Fugazi nunca veio). Mas nem tudo está perdido: mais recentemente, no mês passado nós, pobres gaúchos isolados no extremo no sul, pudemos conferir um show do Shellac. Sim, todos sabem que é “a-banda-do-produtor-do-in-utero-do-Nirvana”. Mas com certeza Steve Albini é muito mais que o produtor de algumas bandas conhecidas: ele teve (e tem) um papel fundamental para o desenvolvimento de um cenário musical que remava contra a maré das grandes gravadoras e do senso comum.

A história de Albini com o cenário musical independente se dá quando o mesmo vai morar em Evanston para fazer faculdade de jornalismo. Em Chicago ele entra de cabeça na crescente cena punk/hardcore da época e começa a editar fanzines. A cena do meio oeste americano estava fervendo, como no resto dos Estados Unidos: Detroit, na década de 1960, já tinha revelado ao mundo duas bandas que deram o pontapé inicial no movimento punk: os Stooges e o MC5. O selo Touch and Go (que depois lançaria discos de futuras bandas do Steve Albini) estava nascendo pelas mãos de Tasco Lee, vocalista do Meatman (uma das primeiras bandas hardcore do meio oeste) e seu sócio Corey Rusk, baixista do Necros.

big black ao vivo

O primeiro lançamento do selo foi o hoje ultra-raro 7″, do Necros. Nos anos iniciais a Touch and Go lançou bandas como Negative Approach, The Fix, e em parceria com a Alternative Tentacles, do Dead Kennedy Jello Biafra, o Crucifucks (de onde saiu o futuro baterista do Sonic Youth, Steve Shelley). Em 81 Meatman, Necros e Negative Approach fazem um tour nacional chamado The Process Of Elimination.

Mini documentário sobre os 25 anos da Touch and Go records

A movimentação e dedicação da cidade vizinha fazem o pessoal envolvido com o punk de Chicago começar a também se movimentar. Se Chicago sempre seria associada ao blues agora lá também teria punk rock! Albini se oferece para ser roadie do TheEfiggies, os heróis do hardcore de Chicago no início dos anos 80. Logo ele fortalece uma grande amizade com o vocalista John Kezdy. Os dois, juntamente com Jeff Pezzati, membro de outra seminal banda de Chicago, o Naked Raygun, começam a se mexer: agendando shows de bandas de outros estados em Chicago, distribuindo materiais de selos independentes, estabelecendo a teia de aranha e a ajuda mútua que vai caracterizar a cena underground americana neste início da década. O próximo passo seria fundar o selo Austmn Records, que viria a lançar os próprios The Effigies, Naked Raygun, e, a futura banda de Albini: o Big Black.

capa do classico songs about fucking

No começo de 1982, a banda era somente Albini, e a sua bateria eletrônica, uma Roland TR-606 (em todos os discos do Big Black, aparece na formação da banda: “roland-drums” como se roland fosse uma pessoa). Desde o início ele procurou desenvolver um cruzamento do punk com uma sonoridade mais caótica, pois sempre foi fã tanto de hardcore como de Kraftwerk, PIL,Killing Joke e Einstürzende Neubauten. Reza a lenda que o ex-Minor Threat, Lyle Preslar chegou a participar em alguns ensaios. O primeiro EP, Lungs, é gravado totalmente no quarto de Albini, em uma gravação low-fi (de baixa fidelidade). Logo se juntam à banda dois membros do já citado Naked Raygun, Jeff Pezzati e Santiago Durango. Depois de gravar dois EPs, Pezzati deixa o Big Black. Em seu lugar entra Dave Rilley, que trabalhava em um estúdio freqüentado por Sly Stone e George Clinton. Portanto, Rilley era um grande fã de funk e levou esta influência para o som da banda; tanto que o Big Black fez cover do clássico de James Brown, The Payback. Seguem fazendo grandes turnês, marcando seus próprios shows num esquema “faça-você-mesmo”, desbravando um Estados Unidos ainda desacostumado com uma cena independente. Em 86 lançam seu primeiro full: Atomizer. As letras giravam entre coisas sobre drogas, medicamentos faixa preta, perversidade sexual, tortura, e outras coisas que faziam a banda ser acusada de racista e sexista. Albini se defendia destas acusações pegando ainda mais pesado nas letras, para chocar os politicamente corretos de plantão, que não entendiam as piadas sarcásticas, a transgressão e o humor negro genial de Albini.

Big Black -Bad Penny

Já pela Touch and Go lançaram o disco que por muitos é considerado seu clássico: Songs About Fucking. Logo depois gravaram um show ao vivo e o lançam tanto em Lp quanto em VHS. Pigpile registra um show do Big Black no Hammersmith Apollo Concert Hall, em Londres, 1987, durante o último tour da banda. O Big Black acaba e deixa seu legado. Não é a toa que Chicago seria um berço para o chamado rock industrial, saindo de lá Ministry, Revolting Cocks, Lard, Pailhead. Todos beberam da psicopatia inicial do Big Black e de suas batidas eletrônicas com suas guitarras angustiantes.

single do rapeman pela sub pop

Albini convoca então Rey Washam, ex-baterista do Big Boys (banda texana lenda do skate punk americano), Rey Washam, ex- Scratch Acid (e depois futuro integrante do Didjits) além de David W.Sims (que iria formar o Jesus Lizard). Faltava um nome para o projeto. Como já estava em briga com as feministas e os politicamente corretos, retira de uma série de hentai japonesa desenhada por Shintaro Miyawaki, o nome de sua nova banda: Rapeman (estuprador). Pode-se dizer que, com este nome, (e as letras das músicas) o Rapeman se tornou talvez a banda americana mais boicotada de sua época. Realmente o pessoal não soube compreender o humor ácido por trás de um nerd como Albini, que em suas letras estava apenas retratando o que podia se passar no dia-a-dia de uma suja metrópole americana. Na sua curta carreira, que durou somente dois anos, lançaram 2 EP’s e um LP chamado Two Nuns and a Pack Mule.

Shellac- Steady As She Goes

Somente em 1992 Albini formaria o Shellac, tendo na bateria o ex-Breaking Circus Todd Trainer, e no baixo o ex-Volcano Sun, Bob Weston (que tocaria na última formação do Missions of Burma, seminal banda de Boston, que tocou recentemente no Brasil). O som do Shellac é mais matemático e cerebral do que o Big Black e Rapeman, algumas pessoas costumam classificar o Shellac como um dos maiores expoentes do chamado “math rock”, por causa de suas mudanças de tempo, constantes e precisas. O termo foi usado pela crítica pela primeira vez para definir a sonoridade do álbum do Slint, Spiderland, não por coincidência produzido por Albini. Apesar do rótulo, eles mesmos gostam de se definir como “apenas um grupo de rock minimalista”. Já as letras inicialmente seriam sobre baseball e Canadá, os dois assuntos favoritos de Albini. Mas, com o tempo, foi-se abordando uma infinidade de outras temáticas. A banda é um projeto mais esporádico, já que Albini e Weston trabalham com produção musical, enquanto Trainer trabalha como gerente de distribuição em uma fábrica, o que talvez explique um grande hiato de tempo entre um álbum e outro. Seu penúltimo disco 1000 hurts é de 2000, e seu último, o Excellent Italian Greyhound de 2007, ou seja 7 anos entre um e outro. Weston possui um ótimo projeto solo chamado Brick Layer Cake, no qual ele toca todos os instrumentos.

fugazi+shellac imagina ir neste show!

A carreira de produtor de Albini daria um texto à parte: ele é tanto requisitado por bandas do mainstrean como por bandas do underground. Assim como produziu Nirvana, ele também trabalhou com os holandeses anarquistas do The Ex, assim como gravou com a PJ Harvey,gravou a banda argentina Fun People e por aí vai. Albini gravou uma infinidade de bandas como, por exemplo: Jon Spencer Blues Explosion, Jawbreaker, Screeching Weasel, The Amps, Sloy, Man or Astro-man?,Godspeed You Black Emperor, Urge Overkill, Pixies, The Jesus Lizard, The Breeders, Superchunk, Helmet, Jimmy Page & Robert Plant, Nine Inch Nails, Iggy & the Stooges , e muitas outras. Portanto, se você tem uma banda e alguns dólares no bolso, por míseros 650 dólares por dia Albini pode ser seu produtor. Fora o aluguel do Eletrical Audio, seu estúdio. Mas olha que estúdio: www.electrical.com. Simplesmente de cair o queixo!

albini em seu estudio

Shellac esteve aqui!

shellac em poa foto por graziela kerpen

Deixemos então de lenga-lenga e vamos para o show. Chegando em frente ao tradicional reduto do udigrudi musical porto-alegrense, o Garagem Hermética, confesso que já pensava: pouquíssimas pessoas! Não sei se foi por falta de divulgação, ou pelo pessoal não conhecer a banda. No início do show eu contei mais ou menos umas 40 pessoas na platéia, e talvez apenas umas 10 realmente conhecessem a banda, e o resto veio por ser a banda-do-cara que-produziu-o-nirvana-e-outras-bandas-que-eu-conheço.

Logo que a banda sobe ao palco posso notar as características shellacquianas: guitarra no talo que parece uma moto serra, extremamente aguda que dói os tímpanos, baixo ultra grave para balancear com a guitarra, e a bateria marcando os ritmos e contra-ritmos matematicamente. O baterista Todd Trainer é disparado o melhor musicalmente na banda, incrível como ele intercala os tempos com extrema precisão. Vai tocar assim lá na puta que te pariu!

shellac em poa foto por graziela kerpen

Albini, como de costume (assim como eu sempre pude ver no meu vídeo do Pigpile) amarra a correia da guitarra na barriga ao invés de fazer como todo roqueiro padrão, que coloca a correia no ombro. Aquilo simplesmente choca o sistema! Genial! Ele está com uma camiseta escrita “yankees sucks”.

Apesar de o Shellac ser uma banda apolítica, a postura punk deles se reflete no que é para mim o principal nela: a postura e a ética do “do it yourself”. Em vários momentos do show percebi que mesmo fazendo cara de sérios e arrogantes (Albini é um) eles estavam se divertindo, tocando como num ensaio.

shellac em poa foto por graziela kerpen

Músicos e platéia eram a mesma coisa, fato que só uma banda com estas características pode quebrar: sendo eles mesmos, marcando seus próprios shows, passando seu próprio som. Sem equipe técnica, sem produção alarmante, sem exigências de camarim, contratos furados com majors, MTV, etc. O set se baseou principalmente em músicas do 1000 Hurts e do Excellent Italian Greyhound . Senti falta de uma música: a quase instrumental Mama Jama, uma das minhas favoritas, e o cover sinistrão de Jailbreak, aquele clássico do AC/DC. Um dos pontos altos foi quando tocaram Steady As She Goes, música que está no DVD Burn to Shine, no qual várias bandas de Chicago tocam suas músicas em uma casa abandonada.

Com certeza o ponto baixo foi no meio do show. Do nada as luzes se acendem e a banda pára de tocar. O trio olha com uma cara de “não tô entendendo”. Olho para trás e vejo nada mais nada menos que uns seis ou mais brigadianos, que, logo ao entrarem, dispararam: “hômi prum lado, muié pra outro, mão na parede, todos”! Juro que me senti num show do D.O.A. com o Black Flag em San Francisco nos anos 80, quando volta e meia a polícia aparecia para acabar com a festa! Só que desta vez ninguém acabou com nada. Assim que todos foram revistados a banda voltou a tocar e todos ficaram felizes para sempre.

shellac em poa foto por graziela kerpen

No fim do show troquei uma rápida idéia com o baixista Bob Weston. Disse que curtia o Vulcano Sun e ele me agradeceu gentilmente. Perguntei se ele andava junto com o pessoal da cena de Boston no inicio dos 80, fui citando umas bandas e ele concordando, inclusive disse que no show na noite anterior em Santiago, no Chile, tinha um cara na platéia com uma camiseta do SSD, e que ficou espantado. Eu disse que era uma banda popular aqui na América Latina. Ele se despede, quase pedindo desculpas.

É, meus amigos, o Shellac deu uma ótima aula de como se faz rock honesto e independente numa época que isto está quase em extinção!

Fatman e Robada

abril 22, 2010

Ontem a tarde eu assisti mais uma vez esta lenda perdida do trash rodada em Porto Alegre nos anos 90.Lembro que na época tinha para alugar em algumas locadoras e segundo relatos chegou até mesmo a passar em alguma rede de tv local.

Dirigido por Rogerio Baldino em 1997 o filme conta como o milionário Braulio Goselha se transformou em Fatman o herói que junto com seu colega Robada vai tirar porto alegre das garras do malvado Dr Gori(?) e seu horrível monstro galinha(a cena que aparece o Monstro no viaduto da Borges é impagável!).No filme podemos ver varias figuras como o Cesar “Coffin” Souza, que era dono da melhor loja de hq’s que poa já teve, a saudosa Planeta Proibido, o especialista em filmes de sci-fi dos anos 50 e fã de carteirinha do Elvis, Marcelo Cevero.O cineasta trash Petter Baiestorf aparece fazendo uma ponta no papel do presidente da nação,dando o alerta geral sobre o monstro galinha,bem como também tem uma ponta do saudoso ator Davi Camargo,falecido em 2006.

O filme teve um relançamento em dvd com muitos extras,na ocasião disso teve uma sessão na sala pf gastal com direito a coquetel(saldadinhos de 1.99 e guaraná fruki  honrrando o trash!)

aqui voce pode assistir esta pérola:

parte 1

parte 2