Steve Albini: A Gênese do Barulho

abril 23, 2010

steve albini mestre em produção musical,mau humor e sarcasmo!

Texto publicado originalmente em http://www.insolitamaquina.com/ em 2008.

A nossa capital, Porto Alegre, definitivamente nunca foi uma cidade para shows internacionais de bandas que eu admiro. Lembro-me que o Fugazi tocou em Joinvile e aqui não. Bandas americanas ou européias que gosto acabam sempre tocando no eixo Rio-São Paulo, e algumas vezes em Curitiba, ou no máximo em alguma cidade de Santa Catarina.

Foi meio que um milagre rolar The Evens por aqui no ano passado (já que o Fugazi nunca veio). Mas nem tudo está perdido: mais recentemente, no mês passado nós, pobres gaúchos isolados no extremo no sul, pudemos conferir um show do Shellac. Sim, todos sabem que é “a-banda-do-produtor-do-in-utero-do-Nirvana”. Mas com certeza Steve Albini é muito mais que o produtor de algumas bandas conhecidas: ele teve (e tem) um papel fundamental para o desenvolvimento de um cenário musical que remava contra a maré das grandes gravadoras e do senso comum.

A história de Albini com o cenário musical independente se dá quando o mesmo vai morar em Evanston para fazer faculdade de jornalismo. Em Chicago ele entra de cabeça na crescente cena punk/hardcore da época e começa a editar fanzines. A cena do meio oeste americano estava fervendo, como no resto dos Estados Unidos: Detroit, na década de 1960, já tinha revelado ao mundo duas bandas que deram o pontapé inicial no movimento punk: os Stooges e o MC5. O selo Touch and Go (que depois lançaria discos de futuras bandas do Steve Albini) estava nascendo pelas mãos de Tasco Lee, vocalista do Meatman (uma das primeiras bandas hardcore do meio oeste) e seu sócio Corey Rusk, baixista do Necros.

big black ao vivo

O primeiro lançamento do selo foi o hoje ultra-raro 7″, do Necros. Nos anos iniciais a Touch and Go lançou bandas como Negative Approach, The Fix, e em parceria com a Alternative Tentacles, do Dead Kennedy Jello Biafra, o Crucifucks (de onde saiu o futuro baterista do Sonic Youth, Steve Shelley). Em 81 Meatman, Necros e Negative Approach fazem um tour nacional chamado The Process Of Elimination.

Mini documentário sobre os 25 anos da Touch and Go records

A movimentação e dedicação da cidade vizinha fazem o pessoal envolvido com o punk de Chicago começar a também se movimentar. Se Chicago sempre seria associada ao blues agora lá também teria punk rock! Albini se oferece para ser roadie do TheEfiggies, os heróis do hardcore de Chicago no início dos anos 80. Logo ele fortalece uma grande amizade com o vocalista John Kezdy. Os dois, juntamente com Jeff Pezzati, membro de outra seminal banda de Chicago, o Naked Raygun, começam a se mexer: agendando shows de bandas de outros estados em Chicago, distribuindo materiais de selos independentes, estabelecendo a teia de aranha e a ajuda mútua que vai caracterizar a cena underground americana neste início da década. O próximo passo seria fundar o selo Austmn Records, que viria a lançar os próprios The Effigies, Naked Raygun, e, a futura banda de Albini: o Big Black.

capa do classico songs about fucking

No começo de 1982, a banda era somente Albini, e a sua bateria eletrônica, uma Roland TR-606 (em todos os discos do Big Black, aparece na formação da banda: “roland-drums” como se roland fosse uma pessoa). Desde o início ele procurou desenvolver um cruzamento do punk com uma sonoridade mais caótica, pois sempre foi fã tanto de hardcore como de Kraftwerk, PIL,Killing Joke e Einstürzende Neubauten. Reza a lenda que o ex-Minor Threat, Lyle Preslar chegou a participar em alguns ensaios. O primeiro EP, Lungs, é gravado totalmente no quarto de Albini, em uma gravação low-fi (de baixa fidelidade). Logo se juntam à banda dois membros do já citado Naked Raygun, Jeff Pezzati e Santiago Durango. Depois de gravar dois EPs, Pezzati deixa o Big Black. Em seu lugar entra Dave Rilley, que trabalhava em um estúdio freqüentado por Sly Stone e George Clinton. Portanto, Rilley era um grande fã de funk e levou esta influência para o som da banda; tanto que o Big Black fez cover do clássico de James Brown, The Payback. Seguem fazendo grandes turnês, marcando seus próprios shows num esquema “faça-você-mesmo”, desbravando um Estados Unidos ainda desacostumado com uma cena independente. Em 86 lançam seu primeiro full: Atomizer. As letras giravam entre coisas sobre drogas, medicamentos faixa preta, perversidade sexual, tortura, e outras coisas que faziam a banda ser acusada de racista e sexista. Albini se defendia destas acusações pegando ainda mais pesado nas letras, para chocar os politicamente corretos de plantão, que não entendiam as piadas sarcásticas, a transgressão e o humor negro genial de Albini.

Big Black -Bad Penny

Já pela Touch and Go lançaram o disco que por muitos é considerado seu clássico: Songs About Fucking. Logo depois gravaram um show ao vivo e o lançam tanto em Lp quanto em VHS. Pigpile registra um show do Big Black no Hammersmith Apollo Concert Hall, em Londres, 1987, durante o último tour da banda. O Big Black acaba e deixa seu legado. Não é a toa que Chicago seria um berço para o chamado rock industrial, saindo de lá Ministry, Revolting Cocks, Lard, Pailhead. Todos beberam da psicopatia inicial do Big Black e de suas batidas eletrônicas com suas guitarras angustiantes.

single do rapeman pela sub pop

Albini convoca então Rey Washam, ex-baterista do Big Boys (banda texana lenda do skate punk americano), Rey Washam, ex- Scratch Acid (e depois futuro integrante do Didjits) além de David W.Sims (que iria formar o Jesus Lizard). Faltava um nome para o projeto. Como já estava em briga com as feministas e os politicamente corretos, retira de uma série de hentai japonesa desenhada por Shintaro Miyawaki, o nome de sua nova banda: Rapeman (estuprador). Pode-se dizer que, com este nome, (e as letras das músicas) o Rapeman se tornou talvez a banda americana mais boicotada de sua época. Realmente o pessoal não soube compreender o humor ácido por trás de um nerd como Albini, que em suas letras estava apenas retratando o que podia se passar no dia-a-dia de uma suja metrópole americana. Na sua curta carreira, que durou somente dois anos, lançaram 2 EP’s e um LP chamado Two Nuns and a Pack Mule.

Shellac- Steady As She Goes

Somente em 1992 Albini formaria o Shellac, tendo na bateria o ex-Breaking Circus Todd Trainer, e no baixo o ex-Volcano Sun, Bob Weston (que tocaria na última formação do Missions of Burma, seminal banda de Boston, que tocou recentemente no Brasil). O som do Shellac é mais matemático e cerebral do que o Big Black e Rapeman, algumas pessoas costumam classificar o Shellac como um dos maiores expoentes do chamado “math rock”, por causa de suas mudanças de tempo, constantes e precisas. O termo foi usado pela crítica pela primeira vez para definir a sonoridade do álbum do Slint, Spiderland, não por coincidência produzido por Albini. Apesar do rótulo, eles mesmos gostam de se definir como “apenas um grupo de rock minimalista”. Já as letras inicialmente seriam sobre baseball e Canadá, os dois assuntos favoritos de Albini. Mas, com o tempo, foi-se abordando uma infinidade de outras temáticas. A banda é um projeto mais esporádico, já que Albini e Weston trabalham com produção musical, enquanto Trainer trabalha como gerente de distribuição em uma fábrica, o que talvez explique um grande hiato de tempo entre um álbum e outro. Seu penúltimo disco 1000 hurts é de 2000, e seu último, o Excellent Italian Greyhound de 2007, ou seja 7 anos entre um e outro. Weston possui um ótimo projeto solo chamado Brick Layer Cake, no qual ele toca todos os instrumentos.

fugazi+shellac imagina ir neste show!

A carreira de produtor de Albini daria um texto à parte: ele é tanto requisitado por bandas do mainstrean como por bandas do underground. Assim como produziu Nirvana, ele também trabalhou com os holandeses anarquistas do The Ex, assim como gravou com a PJ Harvey,gravou a banda argentina Fun People e por aí vai. Albini gravou uma infinidade de bandas como, por exemplo: Jon Spencer Blues Explosion, Jawbreaker, Screeching Weasel, The Amps, Sloy, Man or Astro-man?,Godspeed You Black Emperor, Urge Overkill, Pixies, The Jesus Lizard, The Breeders, Superchunk, Helmet, Jimmy Page & Robert Plant, Nine Inch Nails, Iggy & the Stooges , e muitas outras. Portanto, se você tem uma banda e alguns dólares no bolso, por míseros 650 dólares por dia Albini pode ser seu produtor. Fora o aluguel do Eletrical Audio, seu estúdio. Mas olha que estúdio: www.electrical.com. Simplesmente de cair o queixo!

albini em seu estudio

Shellac esteve aqui!

shellac em poa foto por graziela kerpen

Deixemos então de lenga-lenga e vamos para o show. Chegando em frente ao tradicional reduto do udigrudi musical porto-alegrense, o Garagem Hermética, confesso que já pensava: pouquíssimas pessoas! Não sei se foi por falta de divulgação, ou pelo pessoal não conhecer a banda. No início do show eu contei mais ou menos umas 40 pessoas na platéia, e talvez apenas umas 10 realmente conhecessem a banda, e o resto veio por ser a banda-do-cara que-produziu-o-nirvana-e-outras-bandas-que-eu-conheço.

Logo que a banda sobe ao palco posso notar as características shellacquianas: guitarra no talo que parece uma moto serra, extremamente aguda que dói os tímpanos, baixo ultra grave para balancear com a guitarra, e a bateria marcando os ritmos e contra-ritmos matematicamente. O baterista Todd Trainer é disparado o melhor musicalmente na banda, incrível como ele intercala os tempos com extrema precisão. Vai tocar assim lá na puta que te pariu!

shellac em poa foto por graziela kerpen

Albini, como de costume (assim como eu sempre pude ver no meu vídeo do Pigpile) amarra a correia da guitarra na barriga ao invés de fazer como todo roqueiro padrão, que coloca a correia no ombro. Aquilo simplesmente choca o sistema! Genial! Ele está com uma camiseta escrita “yankees sucks”.

Apesar de o Shellac ser uma banda apolítica, a postura punk deles se reflete no que é para mim o principal nela: a postura e a ética do “do it yourself”. Em vários momentos do show percebi que mesmo fazendo cara de sérios e arrogantes (Albini é um) eles estavam se divertindo, tocando como num ensaio.

shellac em poa foto por graziela kerpen

Músicos e platéia eram a mesma coisa, fato que só uma banda com estas características pode quebrar: sendo eles mesmos, marcando seus próprios shows, passando seu próprio som. Sem equipe técnica, sem produção alarmante, sem exigências de camarim, contratos furados com majors, MTV, etc. O set se baseou principalmente em músicas do 1000 Hurts e do Excellent Italian Greyhound . Senti falta de uma música: a quase instrumental Mama Jama, uma das minhas favoritas, e o cover sinistrão de Jailbreak, aquele clássico do AC/DC. Um dos pontos altos foi quando tocaram Steady As She Goes, música que está no DVD Burn to Shine, no qual várias bandas de Chicago tocam suas músicas em uma casa abandonada.

Com certeza o ponto baixo foi no meio do show. Do nada as luzes se acendem e a banda pára de tocar. O trio olha com uma cara de “não tô entendendo”. Olho para trás e vejo nada mais nada menos que uns seis ou mais brigadianos, que, logo ao entrarem, dispararam: “hômi prum lado, muié pra outro, mão na parede, todos”! Juro que me senti num show do D.O.A. com o Black Flag em San Francisco nos anos 80, quando volta e meia a polícia aparecia para acabar com a festa! Só que desta vez ninguém acabou com nada. Assim que todos foram revistados a banda voltou a tocar e todos ficaram felizes para sempre.

shellac em poa foto por graziela kerpen

No fim do show troquei uma rápida idéia com o baixista Bob Weston. Disse que curtia o Vulcano Sun e ele me agradeceu gentilmente. Perguntei se ele andava junto com o pessoal da cena de Boston no inicio dos 80, fui citando umas bandas e ele concordando, inclusive disse que no show na noite anterior em Santiago, no Chile, tinha um cara na platéia com uma camiseta do SSD, e que ficou espantado. Eu disse que era uma banda popular aqui na América Latina. Ele se despede, quase pedindo desculpas.

É, meus amigos, o Shellac deu uma ótima aula de como se faz rock honesto e independente numa época que isto está quase em extinção!

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Fatman e Robada

abril 22, 2010

Ontem a tarde eu assisti mais uma vez esta lenda perdida do trash rodada em Porto Alegre nos anos 90.Lembro que na época tinha para alugar em algumas locadoras e segundo relatos chegou até mesmo a passar em alguma rede de tv local.

Dirigido por Rogerio Baldino em 1997 o filme conta como o milionário Braulio Goselha se transformou em Fatman o herói que junto com seu colega Robada vai tirar porto alegre das garras do malvado Dr Gori(?) e seu horrível monstro galinha(a cena que aparece o Monstro no viaduto da Borges é impagável!).No filme podemos ver varias figuras como o Cesar “Coffin” Souza, que era dono da melhor loja de hq’s que poa já teve, a saudosa Planeta Proibido, o especialista em filmes de sci-fi dos anos 50 e fã de carteirinha do Elvis, Marcelo Cevero.O cineasta trash Petter Baiestorf aparece fazendo uma ponta no papel do presidente da nação,dando o alerta geral sobre o monstro galinha,bem como também tem uma ponta do saudoso ator Davi Camargo,falecido em 2006.

O filme teve um relançamento em dvd com muitos extras,na ocasião disso teve uma sessão na sala pf gastal com direito a coquetel(saldadinhos de 1.99 e guaraná fruki  honrrando o trash!)

aqui voce pode assistir esta pérola:

parte 1

parte 2

vinil voltando com tudo!

abril 21, 2010

lembro que poucos anos atras muitos selos independentes brasileiros lançavam seja lp ou 7″ meio que seguido.Era uma resposta ao cd: mais bonito,com aquele chiadinho e principalmente um publico mais fiel.A coisa degringolou com o fechamento da Pollysom que foi a ultima fábrica a prensar vinil no Brasil.Mas o pessoal ta voltando aos poucos. A notícia da Deck Disck ter comprado as máquinas da Pollysom e principalmente prensar vinil na gringa em parceria com outros selos está fazendo que aos poucos as bolachinhas voltem ainda com cheirinho fresco e novinhas em nossas eletrolas (ate porque os ultimos que comprei foram em sebos).

a boa notícia é que 2 selos brasileiros estão com lançamentos bem legais.

o primeiro é o selo nada nada discos do blother Mateus Mondini que depois de lançar uns lps(depois quero fazer um post sobre os outros lançamentos) esta relançando uma relíquia e em grande estilo: trata-se do clássico 7″ botas fuzis e capacetes do Olho Seco.vou reproduzir a nota que ele publicou para divulgar:

Nada 006
Reedição Oficial do compacto Botas Fuzis e Capacetes do Olho Seco.
Dispensa apresentações, mas de qualquer jeito tem o compacto pra download aqui.
http://www.kbdrecords.com/2008/07/15/ohlo-seco-st-ep-7/
Igual ao original + encarte colorido com fotos inéditas

As duas primeiras caixas que chegaram acabaram quase que na mesma hora, e não deu pra anunciar aqui, estou sem os compactos simples que custam 15 reais, mas quem quiser me escreve que eu ja reservo, outra caixa deve chegar essa semana ainda.

O que eu tenho a pronta entrega é o Kit cheio de porcaria:
Compacto em vinil amarelo e capa normal + capa em silk screen
Sacola para vinil
Poster A2 em silk screen
Camiseta
Botton
Adesivos
Xerox de zines da época
Xerox de cartazes de shows
Fotos

60 reais

http://www.myspace.com/nadanadadiscos

Pedidos: info@nadanadadiscos.com

Outro vinil que vou dar o toque é o do mano Juberto do selo rock mutante,lá de Campo Grande tá lançando dos holandeses do Waking the Dead:

Waking the Dead – 10″ – Primeiro lançamento em vinil da Rock Mutante, isso mesmo VINIL porra. Banda holandesa formada pelo carismático Mike D., liderando a patota thrash dos Países Baixos na área morta. Prefere o DRI tocando rápido em músicas de 40 segundos ao invés das músicas longas? Os caras estarão tocando com Atitude Ajustment esse ano!!!! FU-TI-TO!!! Prensagem do vinil feito na Holanda. www.myspace.com/wtdthrash

walking the dead em ação

http://www.myspace.com/rockmutante

desde já dou o parabéns a estes dois selos para coragem e principalmente por nos dar a ALEGRIA de conseguir um vinil!!!:)

Entrevista: The Renegades of Punk

abril 21, 2010

Eu tinha feito esta entrevista a algum tempo e to publicando ela aqui.Esta banda de Aracajú/SE me  cativou desde a primeira audição.Com voces os renagados do punk!

Espaço Cidadão do Mundo - São Caetano/SP -foto por Daigo Oliva

Voltando um pouco para a adolescência de vocês, como foi o primeiro contato com o punk/underground que vocês tiveram, e como isso bateu forte em vocês.

Dani: Para mim foi algo que até demorou um pouco. Eu comecei a ouvir rock, acho que como quase todo mundo, ouvindo o que estava mais accessível de achar, de trocar com os amigos, seguindo as mesmas referências de sempre. Coisas diferentes eu comecei conhecer através de um tio mais velho. Mas foi só me envolvendo minimamente com bandas na escola e amigos que curtiam punk rock que comecei a perceber que todo um outro mundo existia e eu desconhecia completamente. Como isso bateu forte em mim? É até estranho. Para mim foi uma coisa que partiu muito mais do feminismo e das bandas femininas dos 90 do que de qualquer outra coisa. Esse lance de bater fundo e querer fazer parte daquilo também; de se identificar com toda a negação e raiva. Foi daí que uma fagulha acendeu para valer.

Aracaju/SE, Capitão Cook foto por Snapic

O que motivou vocês a montarem a banda? E principalmente o que levou vocês a tocarem um som diferente do que vinham fazendo anteriormente tanto no T.F.R. quando no xReverx?

Dani: Nós sempre ouvimos e curtimos punk rock. E enquanto estávamos na T.F.R ou na xReverx eu tinha projetinhos paralelos que sempre estacionavam. Eu já andava querendo fazer algo parecido com a Renegades e tinha umas musiquinhas rolando. Com o fim das duas bandas não pude evitar o impulso de chamar o Ivo para fazermos outro lance, e daí tudo começou mais uma vez. A mudança no som das bandas acho que tem a ver com a “proposta”, vamos chamar assim, de cada banda mesmo. Mas nunca algo intensamente estudado ou deliberado. Até porque as três bandas surgiram, por mais clichê que pareça, de uma forma bastante espontânea.

“Se o que você chama de contra cultura apenas antecipa o que será assimilado… se tudo se vende está cada dia mais difícil ser rebelde” quando escutei esta musica me veio a lembrança que um dia passei na frente de uma loja de grife cara, e vi a venda uma camiseta com que na estampa tinha um cartaz de um show punk americano(se não me engano Agression e Adolescents). O moderninho descolado que comprar aquilo por 90 reais nem saberá que diabos será aquilo. Também uma vez vi uma colega minha de trabalho usando uma camiseta escrito “nazi punks fuck off”(ironicamente de uma grife cara também) quando expliquei para ela o que significava ela ate ficou com medo….   É daqui para pior?Será que vamos ver daqui uns anos toda uma juventude alienada vestida com camisetas punks assim? Como vemos hoje milhares de patricinhas com saias hippies na beira da praia?

Ivo: Acho que já há algum tempo vemos de forma exaustiva diversas referências punks assimiladas pelo establishment, principalmente no que diz respeito à estética. Mas, sinceramente, acho isso bem natural, na medida em que a sociedade vai se reinventado e se resignificando a partir das provocações a moralidade vigente. Acho que o punk, enquanto contra-cultura, é responsável pela quebra de diversos paradigmas, mas obviamente não colhemos apenas o que queremos. E se o punk é (ou foi) justamente essa provocação à moralidade, deveríamos estar dispostos aos efeitos ambivalentes disso, seja um moleque que mesmo sem saber tocar faça uma banda pra dizer o que acha do mundo, ou seja, um moleque que compre um kit contra-cultural numa loja de departamentos. A assimilação em massa vai ser sempre sem graça, sem o ardor do momento, uma foto-cópia apagada do original, mas esse é o preço, não podemos nos colocar de fora desse processo. Estamos metidos nisso até o pescoço.

Cardápio Underground - Bragança Paulista/SP - foto por Thichi

Porque vocês são renegados do punk?

Ivo: A contra-cultura aparece como uma resposta dos insatisfeitos com o modelo cultural atual. O lance de ser renegado pra mim é como uma insatisfação com a própria contra-cultura, de certa forma uma negação da negação. Mas já que não estamos propondo algo completamente novo, isso requer um certo cinismo, porque até agora continuamos aqui e não temos pretensão de abandonar isso tudo tão cedo. A negação da negação é a mesma afirmação inicial? Não necessariamente…

Maceió/Al foto por sivase.net

Eu me lembro com carinho do Karne Krua, Snooze, Camboja, Escarro Napalm zine… Nos anos 90 estas eram as referências de Aracaju. Como estão as coisas na cidade de vocês hoje?

Dani: Lentas e cambaleando. A Karne Krua e a Snooze ainda estão na ativa, o Adelvan Kenobi, que fazia o Escarro Napalm, está agora com um programa de rock numa FM daqui, junto com o Fabinho da Snooze, o que é muito bom e inédito aqui e em breve o programa terá sua versão televisiva. Estão aparecendo algumas bandas novas, pouca coisa, e nada muito ligada ao underground ou punk. Fora todo o domínio de força dos festivais e shows covers, que tomam grande parte do ano.

A demo de vocês esta muito bem comentada e realmente e uma das melhores coisas do punk nacional em tempos. Como anda a repercussão? O que vocês acharam do resultado?

Dani: Obrigada! Acho que a repercussão foi boa. Muitas cópias dela circularam por diversos estados, inclusive perdemos a contas de quantas existem por aí… Eu particularmente fiquei contente com o resultado porque tem muito o clima da gente no momento em que foi gravada; tem muito aquela energia e tal. Mas, como é até uma coisa normal, fiquei contente, mas não totalmente satisfeita como ela soou. Mas enfim, acabou que é aquilo mesmo e ponto. Estamos com outra formação agora e com diferentes “vibes” também. Cada gravação capta essa coisa toda, não é? Então, de acordo com o momento e as condições dadas, acho que ficou bem legal.

Aí no nordeste esta rolando um circuito de shows bem legal. Algumas bandas do sudeste tem tocado aí, o que antes não acontecia com freqüência. Noto que o pessoal aí da região de vocês é bem unido. Comente um pouco sobre isso.

Dani: Não sei se bem unido seria o termo, porque acho que o que acontece aqui é bem similar ao que acontece em outras regiões. Percebo isso quando converso com outras pessoas de outras cidades. Mas acho que ao que você se refere é a um certo “clima novo” com algumas bandas daqui sendo conhecidas e saindo pra tocar em outras cidades. E isso acaba dando um impulso à “cena” fazendo com que role um intercambio com as bandas de outras cidades e regiões – o que é bem legal. Acho que isso é fundamental. O pessoal daqui é muito sedento por isso. Até aqui mesmo dentro do estado sentimos isso. Tipo a relação das bandas da capital com as do interior. Quando você vai lá, nossa, é foda! O pessoal super empolgado querendo conhecer, conversar, comprar discos… Mesmo que as referencias deles sejam Raimundos, por exemplo, eles estão ali e buscando mais informações e contato, etc. Acho importante isso das bandas viajarem e tocarem em outros cantos. Acho que isso de procurar coisas “undergrounds”, por assim dizer, começou pra mim quando vi o Pin Ups em Aracaju em idos dos 90.=, sabe? Também, por outro lado, rolam inúmeras complicações pra se fazer um role no nordeste. Mas a gente está tentando amenizar isso e acho que mais do que nunca a galera nova tem que “construir” algo novo por aqui, participar mesmo, sabe?

“Somos velhos punks chatos e sem graça” como é permanecer punk depois dos 25? Muitos abandonam tudo logo depois da faculdade… Vocês também não encontram amigos antigos que falam “você ainda está nesta”?

Dani: Com certeza! Nossa! Quantas vezes reencontro alguém depois de bastante tempo e o indivíduo solta a fatídica frase: “E aí, você ainda toca?” e eu sempre respondo: “Ainda? Não. Eu sempre estou tocando!”. É uma forma de exagerar e fazer ate uma piadinha desse jeito de ver as coisas, tipo: “você já passou da fase de fazer isso” e blábláblá. Não sei como permanecer punk depois dos 25. Eu simplesmente continuo odiando uma porção de coisas e tentando viver o total avesso delas. Se isso tiver a ver com ser punk, ótimo! Se não, não tem grandes problemas também não. Só acho que não precisamos de marcos pré-estabelecidos ou prazos de validade para nada na vida.

Inferno - Verdurada/SP - Daigo Oliva

Quais são os futuros planos do Renegades? E a tour no sudeste/sul? Quando sai?

Dani: Estamos nesse momento terminando um split que sairá em breve com nossos queridos amigos da Mahatma Gangue (RN)(Nota do editor: já saiu) e estamos começando uma nova gravação para uma coletânea com mais quatro bandas que gostamos muito pro segundo semestre. Também está para sair o nosso primeiro ep em vinil pelo selo alemão Thrashbastard. Fora isso, queremos viajar este ano. Se possível realizar o role que não rolou ano passado: sudeste e também nordeste. Espero que tenhamos tempo e força para tudo isso. A nossa ida pro sudeste está certa já, será em Outubro entre os dias 08 e 16(de 2009) mais ou menos.

Se vocês fossem para uma ilha deserta e pudessem levar só 5 discos. O que levariam?

Dani: Perguntinha desgraçada, hein?! Que difícil!!! Missão quase impossível numerar isso. Ok, vamos lá… Mas sem ordem de preferência… 5 discos lembrados aleatoriamente:

1 – Ramones – It’s Alive!

2 – Hüsker Dü –New Day Rising ou Warehouse: Songs and stories;

3 – Sleater-Kinney – Dig me out ou The Hot Rock;

4 – The Rezillos – Can’t stand The Rezillos: The (almost) complete Rezillos;

5 – The Hellacopters – qualquer um!

Ivo: Ahh pergunta cretina… Toma aê os cinco primeiros relevantes que surgiram em minha cabeça.

Radio birdman – Essential Radio Birdman: 1974-1978

Minor threat – Complete discography

Circle jerks – Group sex

The Rezillos – Can’t stand The Rezillos: The (almost) complete Rezillos;

Cólera – Verde não devaste!

Como isso é um zine, deixem um recado final hehehhee

Dani: Valeu Villa! Espero que você possa fazer mais e mais edições do teu zine e que a gente possa se encontrar em breve, ainda esse ano! Valeu a você que leu até o fim. Beijo.

http://www.myspace.com/therenegadesofpunk

Feriado=tédio?

abril 21, 2010

Acho que todo passam o mesmo….sabem como é feriado?cidade vazia=tédio?

Mas hoje vai ter 2 show por aqui.

http://www.myspace.com/entrerejas

http://www.myspace.com/curciocorsi

http://www.myspace.com/podiaserpior

http://www.myspace.com/yesomarock

Vou ir nos dois e depois conto como foi.

vá tb!

resenhas rápidas

abril 20, 2010

Bem vindos!

Eu tinha umas resenhas de demos e discos paradas aqui em casa e isto me motivou a fazer este blog.tudo bem nao é um zine de xerox.mas a ideia é transformar ele em algum impresso em breve.enquanto isso vou tentar atualizar com entrevistas,resenhas,divulgação de shows etc…

Regime Tentáculo- Demo-
Esta é uma nova banda de velhos conhecidos. Ex-integrantes do morte asceta,pluto,política e purpurina, e outras tantas bandas de Curitiba.
Achei meio que uma continuação das cinzas do morte asceta,o som é um pouco na mesma linha: guitarras poison idea+black flag…. Porém com uma pitada de discharge desta vez,bem como Nightmare e outras bandas japonesas.
Identifiquei-me com a letra de sombra de fora: “Todos seus sonhos de garoto mastigados pelas eras da história… o medo intelectual de não ser nada além de um mero funcionário… o medo do espelho do duplo que não sou eu” realmente é isso que você sente ao passar dos 30 anos….
São 6 musicas + um cover do void (who are you).

Contato: regimetentáculo@gmail.com

http://www.myspace.com/regimetentaculo

demo regime tentáculo

regime tentáculo em algum buraco de curitiba em 20/02/09 foto por Diego Cagnato

Bandana Revenge-“Thrashcore Zone”-Demo-

Como o próprio nome já diz thrashcore insano se escuta nesta demo,vocal de moleque e instrumental rapido. é claro que não poderia faltar as bandanas,boné com a aba para cima,filmes da troma e skate tubarão.mais uma banda tocando este estilo aqui no Brasil.esta molecada do interior do rio de janeiro está agitando muitos shows pela área deles.esta demo saiu nas Filipinas pelo selo whatcore records e nos estados unidos pelo selo legion rec.sao 9 musicas + um cover da brasiliense possuído pelo cão(ugly inside too) de bônus ainda tem a primeira demo “we play fast… and you?

Contatos: http://www.myspace.com/bandanarevenge

demo bandana revenge

bandana revenge em vila velha/es agosto de 2008

Ex-inferis-demo-

Esta banda conta com 3 ex-integrantes do finado jazzus.só por isso eu já gosto.
São três sons de um Cust apocalíptico muito bem tocado, com partes malvadas e lentas, lembrando muito ruination. Mas lógico que as guitarras do carlaire faz tudo isso soar muito próprio!Tive a oportunidade de ver um ensaio deles na ultima vez que estive no espírito santo.

Contatos:

Exinferispunx@gmail.com

http://www.myspace.com/exinferis

exinferis no festival hardcore de sao paulo janeiro 2007 foto por daniel villaverde

Sguardo Realta-demo

Sim o nome foi tirado de um disco dos italianos do Indigesti.Logo no inicio da demo se escuta o deslizar de um skate no asfalto,o que já se da para ter uma idéia.skate rock vem por aí:JFA, Boneless ones, Agression, Mcrad…. isso tudo me veio a cabeça ao escutar o Sguardo Realta…. Estes paulistas atacam com hardcore simples cantado em português, e isso basta! Simples mas muito eficiente!
Peguei esta demo já faz um tempinho não sei se eles estão na ativa ainda.

Contato:
Caixa postal 3666
São Paulo/SP
Cep-01060-970

sguardorealta@gmail.com

Sguardo Realta no finado germinal /sao paulo foto Daigo Oliva

Apicultores Clandestinos-“Parece,Mas não é” – demo

Diretamente da cidade do Rio do Sul (alguns integrantes são de floripa) estes estranhos seres tocam uma mistura insana de surf music e experimentalismos, chegando às vezes a levarem choques dos microfones com suas mascaras de metal, que usam para se protegerem das picadas de abelhas. Vi o show e é bem divertido.
Este cd-r demo tem 13 musicas que tem nomes singelos como “Pescaria com Lima Duarte”, ”Chuck Norris é feliz” e “ladrãozinho de guitarra” como se não bastasse isso, entre as músicas podemos escutar maravilhosas vinhetas retiradas diretamente do filme Calibre 12 do mago do trash Lajeano João Amorin! Escute este cd-r com atenção e você poderá ouvir baterias feitas à base de teclados genuinamente asiáticos, escaletas devidamente “delayadas”, guitarras do tempo da vó benta e gravações feitas ao deus dará…

http://www.myspace.com/apicultoresclandestinos

Apicultors Clandestinos no Bar do Guego Osório/RS setembro de 2009 foto por Daniel Villaverde

segue abaixo o trailer do filme citado na resenha… depois eu faço um post especial em homenagem ao diretor João Amorim.

Roberto e Erasmo Carlos- “Estocolmo” cd-r demo

Não, não são a famosa dupla do rei e do tremendão falando é uma brasa mora não.
Pense num Beat Happening cantado em português, com letras extremamente dadaístas/nonsense, como em “as coisas não andam muito bem”: “a bolsa de Londres nunca esteve tão baixa/nunca melhor gessinger,links e maltz/quem vai vestir a roupa escura do batman/quem vai negar um puro malte escocês”
A gravação está hiper ultra low- fi(ate demais,pois é muito baixa) gravada diretamente no bairro do itacurubi num estúdio chamado dum dum(sim aquele nome da famosa cola de sapateiro). infelizmente parece que a banda acabou,mas escreva para trocar idéia com o João que é gente finíssima e pergunte de seus novos projetos.

http://www.myspace.com/robertoeerasmocarlos

o trio dupla erasmo e roberto carlos

o polêmico show de lançamento da revista banda grossa,que causou na época comoção social no centro de Floripa.

tocando no casarão,um lugar que ao meio dia era restaurante,a tardinha happy hour para yuppies e a noite casa de show de rock.tá duvidando?nao viu a churrasqueira ali atras rapá?

Albertinho dos Reys-“compilação magia”

Assim assina o novo projeto musical do artista gráfico Carlos Dias, ex-integrante de seminais bandas de hardcore paulistanas dos anos 90 como o Tube Screamers e Againe e nos anos 2000 o Polara.
Hoje radicado na ilha da magia, trocou guitarras barulhentas e batidas rápidas por timbres mais acústicos. Como o próprio nome diz, o disco compila varias gravações de diferentes épocas e lugares, mas sempre gravada de um modo simples e espontâneo. A musica é violão e voz, um anti-folk primitivo (querendo ou não a raiz é punk) e bonito cantado em português, mas ao mesmo tempo lembrando algo de musica brasileira.
Destaque para a belíssima capa artesanal pintada uma a uma a mão, sempre com um desenho diferente.

http://www.myspace.com/dosreys

albertinho dos reys no taylissin bar floripa 2008 foto yuri gama

Estudantes-“álbum”-

Eu conhecia as bandas antigas da dupla de punkrockers mais fora da casa do rio que respondem pelo nome de vitão e manfrini,o claro que não já nos anos 90 mandava ver num hardcore americano hora fyp,dfl ora germs. Já os estudantes conheci pelo split que saiu com o evil idols no inicio dos 2000,depois disso a banda teve uma parada e voltou com esta maravilha de gravação! Com certeza parece que o circle jerks do group sex deu cria em copacabana!Gravação ta muito boa e eles conseguiram alcançar a sonoridade rústica característica dos árduos anos 80. Letras falando sobre porres, sobre perder na vida, sobre paranóias do cotidiano, tudo sempre cantado com muita angústia e desesperança. Melhor impossível!Se for para chorar e reclamar tem que ser com raiva e com classe!! Escutaram meninos emo(?)
Surpreendi-me ao me deparar com uma versão em português para “that woman’s got me drink” de Shane MacGowan,o desdentado bêbado do pogues.
Destaque para a arte tosca do vitão e mais ainda para o bonequinho que fala “tenho uma camiseta do black flag…conheço nada da banda”.
Se você foi mais um idiota como eu que dormiu de toca e não pegou uma das 100 copias do lp,tem que se contentar com a versão cd mesmo…

Contato: bandaestudantes@hotmail.com
http://www.myspace.com/osestudantes

claro que não em 1998, rio de janeiro.

vitão amassando algumas latinhas... nao tentem isso em casa!

video da musica “13 anos”.

Alarme -“Starving Wolves & Death Machine Inc.”

Depois do 7” Walk Together Trash Together estes amigos de barra mansa,interior do rio voltam a mistura de britcore,pois me lembra muito intense degree, e o thrascore 625 americano como whn. O instrumental esta mais preciso e os riffs do guitarrista pato muito criativos.musicas como “em guerra o tempo”,”tudo cinza” e de joelhos” são curtas e diretas e as letras vão direto ao ponto. Tive a oportunidade de ver um show deles ano passado e ao vivo eles matam a pau (pena que não rolou o cover de deep wound hehehe).a arte da capa, a caveirinha feita pelo vocalista angu tem um que de pushead o que somente reforça o som da banda. Este pessoal está sempre armando show e organizando coisas legais na região deles(barra mansa/rj), por isso entre em contato!
angusxe@gmail.com
http://www.myspace.com/alarme

alarme na verdurada de 10 anos 2006 foto mateus mondini

Shamatari-“cd-r demo”-

Shamatari é o nome da tribo indígina que devora humanos no classico gore movie italiano Cannibal Holocaust ,um dos filmes mais extremos que eu já vi.então não precisa explicar muita coisa. O som da banda é como o filme, ou seja, goregrind ao extremo!
Uma parede de barulho, guitarras no talho e vocais com efeitos de voz parecendo um porco sendo estripado. O guitarra carrasco (além de um grande parceiro para beber cerveja) é editor de um zine muito legal dedicado ao grind/goregrind , o baixista deles é uma figura, um africano de cabo verde que toca com roupas típicas do país…mais surreal impossível.recentemente eles tocaram no Splatter Nigth o maior e mais tradicional festival do estilo do país ,um prato cheio para quem curte uma podreira da boa,em Joinville/sc. Apesar do som e da temática a banda tem uma letra anti-sacrifício animal sobre um projeto de lei de um vereador que defende o ritual de animais para praticas religiosas: “você defende a tortura em animais, baseada em crenças ridículas, de deuses que não existem”.
Florianópolis está com uma cena grande de bandas grind como sengaya e homicide e o shamatarri é uma outra surpresa para os que como eu, gostam de esfolar os tímpanos.

sshamatari@goregrinder
Dê também uma olhada na versão web do zine do carrasco: http://www.goregrinder.net
Escreva e peça a ele a versão papel.

jeff baixista da shamatari

trailer do filme cannibal holocaust

Hello world!

abril 20, 2010

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